sexta-feira, 22 de junho de 2012
Liberte-se
Ela estava lá. Mais uma vez estava tomada pela dor. Pela dor que tivera obtido através de rejeições, de medo, de sofrimento, solidão, julgamentos e desprezo. Ela não costumava levar em consideração certas coisas. Mas ao decorrer do tempo, do tempo em que ela havia sofrido tanto, seu coração foi ficando frágil, foi perdendo o foco, a força, mas nunca a fé. Ela estava lá, cheia de lágrimas acumuladas, que não se derramavam por qualquer coisa, mas que gritavam em querer se derramar. Olhar e sorrir era rotina, festejar, sonhar, acreditar e seguir em frente, era o que fazia. Sim, fazia. Não faz mais. O mundo de certa forma a colocou contra a parede e lhe golpeou de uma forma rude. Ela perdia o ar, não enxergava mais a luz ao fim do túnel. Seu coração se encontrava despedaçado e isso já lhe incomodava de uma forma absurda. Ela não se conformova com isto e resolveu se libertar. Derramou suas lágrimas, derramou o seu sangue. Em um triste dia nublado, machucado, ela havia sido machucada pela milésima vez. Então entrou em seu quarto, revirou as gavetas, e em uma caixinha trancada, encontrou uma navalha, dessas bem afiadas. Pegou o objeto cortante e deixou-o cair. Se levantou de perto das gavetas e se aproximou da janela. Olhou aquele dia nublado, triste, sem vida e exclamou: ”Óh dia, estás triste, certo? Estás bem assim como eu, sofrido, maltratado. Chova, chores, derrame tudo o que te faz sofrer, liberte-se”. Seus olhos derramavam lágrimas, oceanos de lágrimas. Foi assim que se viu despedaçando, desmoronando. Agoniada sem saber o que fazer, deitou em sua cama e alí ficou por horas. Ao levantar-se, pisou na navalha que deixara cair. Cortou o seu pé e viu que aquela dor que sentira alí, não chegaria nem perto da dor que estara sentindo. Pegou o objeto e começou a cortar seus pulsos, […]cortava sem dor, sem expressão, sem medo[…]. Exclamava: ”Saia toda tristeza, se for pra doer que doa, não há dor maior do que a dor do coração, de quem sofre, de quem não se econtra mais feliz. Sofra, a sua vida já nao vale mais, sorriso não existe aqui. Então que escorra sangue por esse quarto e me mate, me mate afogada no sangue de toda dor que sinto.” Começara a ficar fraca, foi perdendo sua cor e caindo lentamente sobre o piso molhado. Ela se encontrava distante da vida, distante da felicidade. Então seus olhos se fecharam, e lá estava ela, mais uma vez, derrubada pelo sofrimento, morta pela dor.
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