domingo, 5 de agosto de 2012

morte

 

Tateei a minha bermuda a procura de algo útil, havia sangue por todos os lados e palavras que para mim eram simbólicas eram derramadas como ferro em brasa sobre o meu corpo. A dor se alastrava de um ponto ao outro, corroendo toda a minha felicidade. Estava só e pude sentir o desespero me invadir, consumir e por vim me apavorar. Depois daquele dia não fui mais o mesmo. Era como se um vazio insuportavelmente grande me consumisse passo após passo, as paredes de carne não era mais as mesmas, e o meu coração? Será que ele realmente estava ali? Não o sentia há dias, há meses, há anos. Meus pensamentos se perderam, e assim junto com o meu espirito retornei a “realidade”. O sangue em minha roupa me fez pensar por um momento que havia feito algo terrível, até que percebi meu reflexo no espelho. Havia marcas enormes em meus braços, arranhões pelo rosto e um corte profundo em minha perna, de onde o sangue insistia em continuar a jorrar. Surpreendentemente, eu não sentia nada. Era como se, de alguma forma, eu estivesse anestesiado. Tinha conhecimento pleno de que meu corpo sofria. Mas aquela dor era menos que nada se comparada à que sentia em minha alma estilhaçada tal qual um espelho que se desfaz ao cair no chão. Havia um mostro dentro de mim podia sentir cada pontada de liberdade que era emanada de dentro para fora. Por um momento meu coração silenciou-se, meu corpo foi tomado por um arrepio intenso, até que um frio na espinha fez meu coração retornar aos batimentos voluptuosos. Corri de um lado para o outro, o quarto onde estava fervia, precisava consumir algo, agora não suportava mais, talvez estivesse realmente perdido. Não era humano o que fazia, sentia êxtase pelo estado em que se encontrava, sentia prazer com as convulsões que meu corpo me proporcionava, assim fazendo-me vomitar quase litros de sangue. Havia encontrado o que estava procurando, um maço de tabacos, escondido em baixo de um dos travesseiros que estavam estraçalhados, assim deixando as penas que havia dentro do mesmo, banhadas com sangue […] O tabaco havia sido consumido rapidamente assim ostentando certa paz me meu coração, por um momento estava só, até me olhar novamente no espelho, o que eu via era a figura de um mostro […] Minha mente foi se silenciando, estava agoniado, ferido. Faltavam poucos minutos para que a morte chegasse a mim, e assim, poderia partir dali sem nenhum arrependimento.

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